sexta-feira, 11 de março de 2011

O emergir do corpo neurológico

O livro "O Emergir do Corpo Neurológico", da autoria de Afonso Carlos Neves, publicado em 2010 pela Editora Companhia Ilimitada, aborda um histórico sobre a Psicologia, a Psiquiatria e a Neurologia desde os primórdios do surgimento desses termos até o início do século XX, adentrando então na história dessas áreas no Brasil e, mais particularmente em São Paulo. Foi baseado principalmente nos relatos de periódicos médicos das épocas em questão, apresentando dados, elementos e correlações inéditos. O eixo deste trabalho apresenta a estruturação do que pode ser chamado de "corpo neurológico", que diz respeito à visão e noção de corpo elaborada a partir da construção do conhecimento neurológico.
O livro pode ser encontrado nos locais: 
- C.I.Editora e Livraria Ltda.
   Fones: (11) 2950-4683 e 2978-4564
- Livraria Cultura.
   site: http://www.livrariacultura.com.br/
Preço: R$ 45,00

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

A palavra Neurologia:



A palavra Neurologia aparece pela primeira vez no livro Cerebri Anatome de Thomas Willis, de 1664, cujo frontispício é aqui apresentado.

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Dinâmica de grupos: grupos-operativos

João Eduardo Coin de Carvalho - UNIP-Psicologia / UNIFESP-NECON

A prática do grupo operativo foi proposta pelo psicanalista franco-argentino Henrique Pichon-Riviere em 1947;


 
Objetivos
 
A partir das considerações de Kurt Lewin sobre grupos e da Psicanálise Kleiniana, seu interesse era promover dinâmicas que levassem em conta as condições sócio-históricas, isto é:
- contexto social e político
- contexto institucional
 
O grupo
 
Definição: “ conjunto de pessoas com um objetivo comum (...) que procuram trabalhar em equipe.”

Grupo Operativo: treinamento para trabalhar como equipe (retificação dos vínculos estereotipados)

O grupo operativo deve lidar com objetivos, problemas, recursos, conflitos.

E ainda com subjetividades e afetividade

O grupo é o lugar para uma teoria da ação.

O grupo se trabalha para poder trabalhar.

Na formação de todo grupo, se passa continuamente da serialidade ao grupo.

Presença de estereotipias: dificuldade e superação.

 
Definição

“Chamamos grupo operativo a todo grupo no qual a explicitação da tarefa e a participação dela permite não só sua compreensão, mas também sua execução” (BAULEO, 1969)

Ecro (Esquema Conceitual, Referencial e Operativo) grupo

Heterogeneidade dos grupos: homogeneidade da tarefa;

Aprendizagem do grupo é um processo contínuo e com oscilações: momentos de ensinar e de aprender;

A tarefa é a construção de um esquema referencial comum a partir dos ECROs particulares.


Papéis

Porta-Voz
Bode Expiatório
Líder
Líder da Resistência
Detentor do Silêncio


Pré-tarefa

Situação que paralisa o prosseguimento do grupo, apoiada em defesas que estruturam a resistência à mudança (protelar, gastar o tempo, movimentos que aparentam a ação, mas que na verdade não o são)

Tarefa

O momento da tarefa consiste na abordagem e elaboração das ansiedades do grupo (perda da estrutura e ataque à nova situação estruturada) e emergência da posição depressiva básica (consciência dos próprios limites), o que possibilitaria estruturar a tarefa possível no tempo e espaço. O grupo percebe os elementos em jogo e pode instrumentalizá-los.

Projeto

Estratégias e táticas para produzir mudança que modificam o(s) sujeito(s) que voltam a produzir mudanças e assim sucessivamente.


Referências Bibliográficas

PICHON-RIVIERE, H. O processo grupal. São Paulo: Martins Fontes, 1986.

SAIDON,O. O grupo operativo de Pichon-Riviere. In BAREMBLITT, G. Grupos: teoria e técnica. Rio: Graal, 1986, p.169-203.
Instituições e saberes: a presença do imaginário e do simbólico

João Eduardo Coin de Carvalho - UNIFESP-NECON / UNIP-Psicologia


Instituição

Uma organização social que associa um grupo de pessoas que interagem entre si.

Inclui também outros requisitos como uma prática social e um conjunto de regulações escritas e/ou culturais que suportam esta prática, e que compõem sua dimensão simbólica

Uma instituição pressupõe ainda os vínculos entre estas pessoas e aquilo que se desprende deles, os atravessa, o imaginário institucional.

Irremediavelmente atrelado à sua dimensão simbólica, o imaginário determina a dinâmica do fazer institucional.

Os indivíduos numa instituição atualizam suas próprias histórias em meio ao atravessamento simbólico e imaginário a que estão sujeitos.

As relações e práticas mediadas por histórias individuais também constituem a instituição.

Toda instituição está ligada a uma história e a um contexto que referem a sociedade – e os conflitos – sobre os quais ela está situada.

E a sua própria história, o que inclui a história dos atores institucionais – agentes e clientela – e dos relacionamentos que a constituíram.


Análise institucional

A compreensão das instituições concretas se faz também através da observação de seus rituais (estereótipos), de seu fazer cotidiano.

A ação, desta forma, se faz tanto no campo simbólico como imaginário, retificando a materialidade institucional na construção de um espaço de relações e afetos que possa ser permanentemente reconstruído.

Intervenção

Intervir na instituição é buscar um funcionamento que privilegie a integração em todos os seus sentidos.

É tomar instituição e clientela como um todo multidimensional.

Fazer visível as forças que atravessam os saberes e afetos instituídos.

Confrontar estes cenários simbólicos e imaginários;

Transformar as realidades nas quais nos encontramos.


Referências Bibliográficas
BAREMBLITT, G. Grupos: teoria e prática. 2ª ed. Rio de Janeiro: Graal, 1986.

CASTORIADIS, C. A instituição imaginária da sociedade. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1986.

GUATTARI, F. Psicoanalisis y Transversalidad. Buenos Aires: Siglo XXI, 1976.

GUIRADO, M. Psicologia Institucional. São Paulo: EPU, 1987.

quarta-feira, 2 de junho de 2010


Representações sociais e o conhecimento do senso comum
João Eduardo Coin de Carvalho (NECON - UNIFESP / Psicologia - UNIP)



Perguntas:
Quais as relações entre o pensamento científico e o senso comum?
A partir do conceito de Representações Sociais, quais as implicações destas relações especialmente para o campo da saúde?


Psicologia e Interdisciplinaridade:
"Estamos numa era de reforma do pensamento que desvela a complexidade do objeto da Psicologia e a ingênua veleidade de acreditar que podemos, a partir de uma única área de saber, dar conta dele. Isto projeta a Psicologia no território da interdisciplinaridade". (Angela Arruda)


Cenário atual é de rupturas epistemológicas (Boaventura de Souza Santos):
- A primeira: do senso comum para a ciência (hegemonia);
- A segunda: da ciência para um outro senso comum, já transformado pela presença do pensamento científico (desafio ao pensamento hegemônico).


Representações Sociais: Cenário

- Interesse em constituir teórica e metodologicamente um campo de trabalho onde se possa recuperar a idéia de grupo (e de humano).
- Serge Moscovici (1961) apresenta uma teoria que pretende atender a um problema crônico dentro das ciências sociais: a relação entre o pensamento científico e aquele que se refere ao senso comum, o pensamento do grupo.

- Mas: os grupos pensam?


Representações Sociais: Definição

- Moscovici se deparou com o que ele entendia ser um fenômeno, antes de ser um conceito, a representação social, que ele definiu como sendo:
"uma rede de imagens e conceitos interagindo, cujos conteúdos se diferenciam continuamente através do tempo e do espaço"
- Pesquisa: A representação social da psicanálise


Representações Sociais: discurso de grupo

Na passagem das teorias científicas para o senso comum, num processo mediado pelo diálogo entre os indivíduos, a idéia de Representação Social redescobre nos grupos sociais uma explicação para o mundo e que orienta o comportamento dos indivíduos no grupo.


Representações Sociais: uma teoria do senso comum

- Não sendo uma teoria científica, mas uma versão do senso comum, isto não lhe confere, no entanto, o status de pensamento primitivo ou menor. Ao contrário, a representação social se apresenta como uma categoria especial de conhecimento, variando, em função de onde, quando e de quem se serve dela.
- Mediação entre os indivíduos e o grupo.



Representações Sociais: a objetivação

- A objetivação é o processo pelo qual se tenta reabsorver um excesso de significações, materializando-as. A quantidade de significantes e indícios que um determinado grupo utiliza pode se tornar de tal maneira abundante que os sujeitos, frente a esta situação, procuram combatê-la tentando ligar as palavras a coisas.
- Aqui a dimensão imagética da Representação Social - disseminação (Ex: "Psicanálise").


Representações Sociais: a ancoragem

- A ancoragem é o outro lado da moeda em relação à objetivação. A ancoragem ajusta o objeto representado à realidade da qual ele foi sacado, promovendo a constituição de uma rede de significações em torno do objeto e orientando as conexões entre ele e o meio social. Assim, o objeto, via representação social, passa a ser um instrumento auxiliar para a interpretação da realidade.
- Aqui a dimensão conceitual e linguageira da Representação Social (Ex: confissão)


Representação Social: produção e reprodução
- Dinâmica, organizadora, integradora, histórica, a representação social se apresenta e se reproduz nas conversas do dia-a-dia, nas esquinas, bares, praças – e salas de espera – instalando-se de uma maneira que subverte "as normas e a rigidez habituais de aprendizagem".
- Integrando o que é desconhecido, a representação social possibilita apontar a importância do senso comum nas ações dos indivíduos nas suas realidades.


Representações Sociais: exemplos

"A população de origem espanhola do Sudoeste dos Estados Unidos possui nada menos de quatro registros para classificar e interpretar as doenças:

(a) a sabedoria popular medieval do sofrimento físico;
(b) a cultura das tribos ameríndias;
(c) a medicina popular inglesa nas zonas urbanas e rurais;
(d) a ciência médica.

De acordo com a gravidade da doença, e com sua situação econômica, eles empregam um ou outro destes registros para procurar a cura". (Moscovici)


Representações Sociais: exemplos

- Outro exemplo: estudo sobre populações de origem chinesa na Inglaterra e as diferentes formas de cuidar da saúde, especialmente entre os mais jovens. Constatação do uso de duas representações diferentes: a da Medicina Tradicional Chinesa e a da Medicina Ocidental. (Jovchelovich)
- Conceito: Polifasia Cognitiva (Moscovici)


Referências Bibliográficas

ARRUDA, A. As representações sociais: desafios de pesquisa. Revista Ciências Humanas, Florianópolis: EDUFSC. Especial Temática, p.09-23, 2002.
MOSCOVICI, S. A representação social da psicanálise. Rio: Zahar editores, 1986.
________. Representações sociais: investigações em psicologia social. Petrópolis: Vozes, 2003.
SPINK, M.J.P. O conhecimento no cotidiano. São Paulo: Brasiliense, 1994.

domingo, 9 de maio de 2010

Estudos em Neuro-Humanidades

Os estudos em Neuro-Humanidades dizem respeito à abordagem da neurologia, neurociências e outras áreas com o prefixo "neuro" a partir de referenciais de história, filosofia, sociologia, antropologia, linguistica, semiótica e outros campos similares. Desse modo, nota-se que a interdisciplinaridade é importante nesses estudos.
O Núcleo de Estudos do Conhecimento - Necon - criado em 2002, precedeu a criação do setor de Neurohumanidades da Disciplina de Neurologia da Unifesp em 2009, e passa a integrar este, a partir de 2010.